
8 de novembro de 2025
Semana passada assisti ao lindo espetáculo de ballet, Frida, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Em cena, a vida e obra da artista plástica mexicana, Frida Kahlo com a beleza e a fortaleza desta figura que, para mim, é uma das mais emblemáticas da América Latina. A artista sofreu, primeiro, de um acidente de ônibus que quase roubou-lhe a vida, depois sofreu do coração partido. Foi traída inúmeras vezes por seu companheiro, também artista Diego Rivera, incluindo sua irmã mais nova.
“Sofri duas grandes tragédias na minha vida: a primeira foi o acidente, e a segunda foi te amar.”
Frida Kahlo
Mas Frida, assim como muitas de nós, sobreviveu à traição e ao desamor, construindo seu trabalho, sua imagem, seu estilo único, seguindo sua intuição e sensibilidade. Após descobrir as traições, teve a coragem de se separar e viver à sua maneira, com liberdade, verdade e independência. Além de expor sua arte para o mundo, a artista ainda teve um importante papel como ativista política e feminista incluindo a exposição de seu interesse romântico por outras mulheres numa época em que isso era tremendamente escandaloso.
Frida Kahlo é um exemplo de resistência, uma inspiração, um ícone. Mas todos os dias, na clínica ou nas ruas, ouvimos relatos, e por que não o lamento, de mulheres fortes, seguras, talentosas, inteligentes que sofrem, quebradas ou resistindo, pelas decepções amorosas.
O temor da traição hoje é menor, mas ainda existe porque a traição mata algo dentro de nós: a confiança. O temor maior hoje é de vingança, assédio, ghosting, agressão, feminicídio. A violência que antes afetava a moral, agora afeta nossos corpos, almas e mentes.
Todos os dias, ao sair de casa, enfrentamos uma sociedade que exalta os feitos, os corpos, as falas, a índole masculina e devolve para as mulheres e meninas brutalidade, submissão, humilhação, insegurança, escravidão e sofrimentos de toda espécie.
Como insistir ou incentivar relações afetivas heterossexuais em tempos tão difíceis? Não tenho essa resposta. A sociedade ensina as meninas que elas serão boas se forem calmas, boas, pacíficas, cuidadosas e dadivosas. E quando elas se recusam a ser, vem a violência. Assédios morais e sexuais só aumentam, seja em empresas, nas relações interpessoais e na rua. Mulheres que ganham mais, ou que têm mais poder, são castigadas com o silêncio e o não afeto. Como se não merecessem ser amadas.
Pois bem, para minhas amigas, clientes, irmãs, eu digo: amem-se e busquem outros amores, incluindo afetos femininos e interesses que não sejam românticos. É claro que ainda existem homens confiáveis e feministas, mas são poucos, então, ao invés de investir nesta busca da agulha no palheiro, que tal buscar risos de amigos, espetáculos e artes, uma boa conversa ou um bom livro, um novo destino de viagem.
Amar um homem não nos constitui enquanto pessoa e o amor só é bom correspondido, Eu termino este artigo citanto Frida,
“Apaixone-se por você, pela vida e depois por quem quiser.”
Frida kahlo
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